Empreendedorismo Corporativo ou Intra-Empreendedorismo – Por Prof. Edilberto Camalionte

15, março, 2008

Por Prof. Edilberto Camalionte

Na medida em que as empresas avançam na busca por vantagens competitivas sustentáveis, é fácil notar a dificuldade na aplicação dos modelos tradicionais. Não se consegue mais ser diferente pelos produtos, porque são de fácil imitação. Os preços esmagam a rentabilidade e comprometem a saúde da empresa no longo prazo. Os canais alternativos de distribuição como a internet igualam grandes e pequenas empresas, e não é fácil construir e posicionar uma marca de uma empresa pequena ou média.

Dessa forma, fica cada vez mais subordinado ao capital humano a função de construir, na empresa, uma forma de fazer com que ela possa ser melhor que as outras. Esse conceito não é novo, mas poucas empresas conseguem fazer isso de uma forma eficiente. Veja se a sua empresa não tem um dos problemas abaixo:

  • Alguns superiores hierárquicos não levam em consideração as idéias da equipe;
  • Existe “roubo” de idéias, e isso desestimula as pessoas a contribuir com sugestões;
  • Muitas pessoas não têm preparo técnico para dar sugestões;
  • Algumas sugestões não levam em conta o retorno sobre o investimento, ou as idéias não conseguem ser mensuradas ou ainda o investimento é alto demais;
  • Muitos funcionários não têm visão da sua importância relativa na empresa. Isso faz com que eles fiquem reclamando o tempo todo dizendo “porque não fazem isso ou aquilo”, sem saber as conseqüências negativas;
  • O “clima” entre os colegas é tão ruim que cada nova idéia é tratada como uma afronta pessoal;
  • Muitos superiores têm medo de mudanças, ou acham que “como está é melhor”;
  • Esses mesmos superiores ficam surpresos e riem dos concorrentes que mudam. Geralmente criticam a equipe depois, perguntando porque não pensaram nisso antes…

Se você identificou algumas das opções acima, ou várias delas, na empresa em que trabalha, ou, pior, chamou algum colega para mostrar com o comentário: “veja, alguém que trabalhou aqui escreveu isso…”, tenha a certeza que essa é, infelizmente, uma realidade muito mais comum do que se imagina, mesmo com todas as teorias que muitos já dizem saber.

Aqueles funcionários criativos e que trabalham nessas empresas tem um nível de motivação muito baixo, porque se consideram sub-utilizados. Por outro lado, as empresas que não conseguem reconhecer e dar valor a essas pessoas, vão perdendo cada vez mais o seu capital intelectual, fortalecendo os seus concorrentes muitas vezes sem saber.

Existem saídas para isso?

Sim, desde que a empresa reconheça que tem o problema, e isso não costuma ser fácil. Para resolver de forma convincente e definitiva, a empresa deve criar um ambiente no qual seja possível que os funcionários se sintam livres para falar e opinar sobre o seu próprio trabalho, e como ele pode ser melhor para os clientes, consequentemente para a própria empresa.

Assim, além de capacitar tecnicamente a equipe, ela deve estimular os líderes e funcionários a desenvolver a criatividade e mostrar de forma organizada suas opiniões para que todos possam crescer.

Contudo, para que as opiniões tenham a credibilidade necessária, os funcionários devem responder cinco questões:

1. Qual o retorno sobre o investimento da minha idéia? Ele é satisfatório, na opinião dos acionistas?
2. Eu conheço as pessoas o suficiente para influenciá-las? Quais são os valores de cada um?
3. Esta idéia está alinhada com os objetivos estratégico, táticos e operacionais da empresa?
4. Tenho o apoio e os recursos necessários para implementação?
5. O meu projeto tem um cronograma factível e apoiado por todos os envolvidos?

As respostas para esses questionamentos é fundamental para defender qualquer posição sobre mudanças e inovações. Considerando que um número muito pequeno de funcionários tem vontade ou disposição para fazer isso de forma concreta, os que realizam adequadamente têm grande visibilidade profissional e rapidamente alçam vôos na empresa.

Não existem cursos livres para abordar seriamente o assunto, por uma questão elementar: embora muitas empresas se pareçam, a solução para os seus problemas deve ser feita sob medida, com diagnóstico sobre os limitadores da inovação e as formas para fazer com que as mudanças se consolidem de forma consistente.

A FIA – Fundação Instituto de Administração desenvolveu um núcleo de pesquisa para a Inovação Intraempreendedora, dentro da pós graduação de Inteligência de Mercado, e desenvolve trabalhos sob medida para as empresas. Os interessados em conhecer mais e melhor o programa podem escrever para o coordenador, prof. Edilberto Camalionte: edil.ecs@uol.com.br .

O desenvolvimento da inovação tem a ver com criatividade, que tem a ver com a possibilidade de crescer, e tudo isso está subordinado ao conhecimento de seus talentos, suas habilidades e disposição. Aqueles que se conhecem o suficiente para saber do que gostam, seguramente vão desempenhar suas funções de forma naturalmente melhor que a média de seus colegas.

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