Os desafios de Gestão de uma Escola de Samba por Aurora Seles
Os desafios de Gestão de uma Escola de Samba
Nesta edição da nossa Shernews, entrevistamos a Presidente Angelina Basilio da Sociedade Rosas de Ouro.
Campeã do carnaval 2010 de São Paulo, sétimo título da escola, a Rosas de Ouro foi fundada por um grupo de quatro amigos.
Em 1971, José Luciano Tomás da Silva, João Roque “Cajé”, José Benedito da Silva “Zelão” e o Presidente Eduardo Basílio, que permaneceu à frente da escola até outubro de 2003, iniciaram uma história de crescimento meteórico.
Angelina Basilio fala sobre os desafios de Gestão de uma Escola de Samba com 4.500 componentes.
Além do Carnaval, a Escola desenvolve ações sociais, captação de recursos, trabalhos com a comunidade infantil e promove eventos empresariais. Tudo isso através do empenho e dedicação de uma Equipe de Gestão composta por diretores, coordenadores e voluntários.
Todo esse cenário tem estimulado à profissionalização da Gestão para que os desafios sejam consagrados ano a ano.
1. Quais os principais públicos que se relacionam direta ou indiretamente com a Escola? Quais os principais fatores que fazem com que esses públicos busquem esse relacionamento?
O público que frequenta a Sociedade Rosas de Ouro é bem variado: diversas faixas etárias, etnias e classes sociais. Direta ou indiretamente nosso relacionamento é feito com empresários, parceiros, estudantes e principalmente a classe sambista. A localização da quadra contribui para estreitarmos a comunicação com as pessoas. São quase quatro décadas de trabalho reconhecido pela sua excelência e qualidade. Nosso produto é muito procurado pelo atendimento oferecido, dentro das especificações de uma escola de samba. Anualmente apresentamos ótimos carnavais, sambas de enredo e grandes ensaios. A busca pelo entretenimento em uma casa de espetáculos como a Rosas de Ouro é frequente. O publico é bonito, excepcionalmente na época dos principais ensaios – dezembro a fevereiro, onde o quorum alcança quase 7 mil pessoas.
2. Com a Gestão da Rosas de Ouro administra a adversidade, considerando-se os diferentes públicos da Escola?
Na década de 80 meu pai relembrava que o samba havia saído da senzala para conquistar grandes palácios. Por isso damos oportunidade às classes menos favorecidas para interagirem com outros segmentos. Por exemplo, reunir no mesmo ambiente pessoas da comunidade aos famosos é sempre uma experiência rica: todos se dão bem! Sentem-se confortáveis e prestigiados. Um dos principais fatores na atual gestão da Rosas de Ouro é exatamente não separar ou individualizar as pessoas. Aproximamos a comunidade dos visitantes para promover um clima familiar. Todos ganham com isso e o resultado é a imagem favorável que a Escola mantem.
3. De que maneira você faz o trabalho de motivação dos Líderes (diretores de harmonia, de ala, de fantasia etc) considerando-se que muitos são voluntários?
O amor ao pavilhão! A bandeira azul e rosa é a nossa identidade. Sempre buscamos demonstrar todo carinho e admiração pelas nossas cores. Uso essa teoria para estimular minha comunidade. Ser “Rosas de Ouro” é algo natural, as pessoas conhecem a Escola, o trabalho e se apaixonam rapidamente. Independe do vínculo profissional ou voluntário. Todos que frequentam a Rosas de Ouro o fazem por amor. Temos reuniões periódicas para acertarmos falhas e receber sugestões. Faço um trabalho coletivo e assim mantenho a chama acesa.
4. Como faz para alinhar as expectativas da comunidade com as expectativas dos simpatizantes da escola?
Pertencer à comunidade da Rosas de Ouro é frequentar a Escola e defender o pavilhão. Há pessoas que moram em outras regiões da cidade e são da comunidade. Respeitam, admiram e acompanham todas as ações. Divulgamos através do nosso site todas as atividades e eventos promovidos ao longo do ano. Alem disso temos um excelente espaço na mídia que nos ajuda a deixar o publico bem informado. Desta forma, os simpatizantes – visitantes primários ou eventuais – tem a oportunidade de interagir com a comunidade. Envolvemos todas as pessoas num único evento. Pura sinergia! Não há distinção entre os freqüentadores da Rosas de Ouro. Sejam eles da comunidade ou simpatizantes, todos ficam envolvidos com o enredo que será apresentado no carnaval e a energia aumenta. É contagiante!
5. Quais as principais contribuições da Escola para a comunidade?
Atendemos a população carente através do nosso projeto social Samba se aprende na escola, criado em 1995 pelo meu pai, Eduardo Basilio. São várias oficinas que incluem aulas de dança: samba, salão e ballet. Para ter ideia uma de nossas alunas entrou para a nova equipe do Teatro Municipal para estudar ballet clássico. Há também aulas de percussão e cordas. Hoje temos componentes na Bateria que foram formados através dessas oficinas. Tocam vários instrumentos, inclusive cavaquinho. Nosso primeiro Mestre-sala veio do projeto. É um orgulho!
A programação de 2010 contempla vários cursos: cabeleireiro, manicure, maquiagem, trança, artesanato, culinária, etiqueta, ballet, samba no pé, dança do ventre, jazz, circo e coral. Oferecemos oportunidade para que a comunidade participe do desfile oficial. Para tanto, desenvolvemos algumas alas coreografadas. O componente tem de ter comprometimento e participar de todos os ensaios com os diretores dessas alas.
6. Comparativo do Carnaval de São Paulo e do Rio de Janeiro.
O carnaval paulistano cresceu significativamente, mas compará-lo ao Rio de Janeiro não é prudente. Afinal, são públicos e culturas distintos. A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo pretende cada vez mais otimizar o produto carnaval. Uma das principais buscas é o incentivo às parcerias para as agremiações e o uso da Lei Rouanet.
7. Quais as principais mudanças estratégicas previstas para as Escolas de Samba nos próximos anos (tendências, desafios etc)?
A Rosas de Ouro desenvolve ações bem atrativas para prestigiar e fidelizar seu público. No último carnaval promovemos os “ensaios turbinados” às sextas-feiras. Alem da nossa Bateria convidamos outras agremiações para compor o ensaio. Chegamos a ter três Baterias numa única noite. É um tipo de estratégia que leva o público ao delírio e o deixa ainda mais encantado com a iniciativa da Escola. A tendência é sempre crescer e melhorar, pois os desafios são grandes. O carnaval é um espetáculo e merece requinte e trabalho qualificado. O publico merece.
Por Aurora Seles – seles@selescomunica.com.br
www.selescomunica.com.br




Legal o texto, mas poderia ser mais técnico e não em forma de entrevista. Mas parabéns.
Agradeço pelo comentário do Giuliano. Embora a maioria das pessoas prefere saber do segmento de forma “leve”, vale a pena abordar o assunto de maneira mais científica. Abraços azul e rosa!
Bom o texto,acho muito importante a divulgação de trabalho social e suas realizações, apesar de não gostar de não curtir o carnaval.