Stairway to Heaven – Por Edilberto Camalionte (Continuação)

14, abril, 2009

Por Edilberto Camalionte

Para ver os 5 primeiros degraus publicados na edição anterior, clique aqui

Sexto degrau: Lidar com as emoções dos outros

Esse é outro drama. A pessoa com quem você precisa resolver aquele problema ou pedir aquele favor está com uma daquelas emoções destrutivas que acabamos de descrever.

Neste ponto, cabem algumas dicas simples:

  1. Respeitar o que o outro está sentindo. Você pode não concordar, mas, certamente, o outro deve ter os seus motivos.
  2. Não confronte diretamente. É melhor esperar outro momento do que eliminar a possibilidade de novos contatos.
  3. Melhor não perguntar o que o outro tem. Deixe-o a vontade para se abrir com você, dizendo simplesmente que ele pode contar com você, caso precise.
  4. Não lembre o outro o que ele tem. Expressões como “você está nervoso hoje?” com absoluta certeza deixa qualquer um nervoso na hora, ou ainda mais nervoso. Volte a regra 1 e respeite o que ele tem.

Estas dicas não valem apenas para os raivosos, mas os tristes e tensos também. Elas não vão resolver tudo, mas o principal é não entrar na onda. Depois que se acalmam, as pessoas vão se lembrar que você identificou o que elas sentiram e vão respeitar você. Com sorte, até desculpas eles vão pedir para você. sempre.

Sétimo degrau: Influenciar e argumentar

Conceitualmente, influenciar significa que sua opinião é tão importante que acaba convencendo as outras pessoas. Para influenciar, você precisa pensar em duas coisas: conhecimento técnico e relacionamento interpessoal.

Como já escrevemos, só o conhecimento não adianta. Ele deve estar acompanhado de habilidades ligadas ao relacionamento para que o argumento esteja dentro do nível de apreensão dos seus interlocutores. Em outras palavras, a linguagem deve ter a simplicidade adequada para cada situação.

A regra principal é: o argumento deve ser baseado em fatos e dados, e a forma de comunicar não pode ser arrogante.

Dessa forma, é preciso sempre procurar a atualização constante de conhecimento, seja ele qual for, e o estudo dos seus interlocutores. Finalmente, não seja bobo de achar que sabe muito de tudo. O conhecimento de todos nós, em qualquer assunto, é muito limitado, e as pessoas que ficam dizendo “eu sei” para qualquer coisa são extremamente mal vistas.

A influência depende muito do grau de confiança conquistado dentro de um tempo específico. Ninguém sai por aí confiando nos outros por nada, e a regularidade da prestação da informação correta, a profundidade nos assuntos e a forma adequada, sempre respeitando o seu interlocutor, é que vai fazer a diferença.

Oitavo degrau: Trabalho em Equipe

Todos os livros de administração de empresas mostram a importância do trabalho em equipe. Diferente de quando eu era criança, hoje meus filhos têm inúmeros trabalhos de grupo na escola, isso porque atualmente existe uma preocupação do ensino fundamental em desenvolver esta competência, simulando o que vão encontrar mais à frente.

A maior parte de nós gosta de lidar com pessoas, então trabalhar em equipe é fácil? Não! Porque no trabalho existem pessoas parecidas com a gente – “os normais” – e os diferentes da gente – “os chatos” – e temos que suportar os chatos reclamando deles para os normais.

Entretanto, o problema que a escola não resolve e que temos que fazer é, justamente, aprender com os diferentes. Eles têm defeitos que nós não temos, mas, por outro lado, possuem qualidades que também não possuímos. E certamente, habilidades que podem se complementar às nossas. Fazer contato, entender, colocar-se no lugar e extrair o melhor de cada um é justamente o que faz uma equipe fazer a diferença.

Se nós só trabalharmos com pessoas parecidas, como vamos nos desenvolver? O que vamos aprender? Pior, é provável que façamos uma “panela” que impeça qualquer outro diferente da gente de entrar, e passamos a “emburrecer” cada dia mais, na medida em que a inteligência é a habilidade de juntar informações distintas, portanto, diferentes.

Nono degrau: Liderança Positiva

Não se trata de ser chefe, mas de liderar. Ser o catalisador das idéias, ajudar os outros a ajudar você. Algumas coisas ajudam muito para o desenvolvimento da liderança, entre as quais:

  1. Ouvir com atenção todos os que estão a sua volta
  2. Interessar-se pelos problemas dos outros, dar sugestões práticas quando for o caso, e só escutar quando não houver nada o que fazer.
  3. Não olhar os pontos negativos das coisas, mas destacar o lado positivo delas, especialmente nos casos onde há mudança, mas sem ser ingênuo.
  4. Identificar os aspectos positivos das situações focando como resolver os problemas, não apenas se queixando e lamentando dos problemas que eles podem causar
  5. Nos problemas, não priorizar a caça aos culpados, mas a solução dos problemas
  6. Estimular a inovação e a criatividade
  7. Delegar, desenvolver o sucessor e identificar os talentos de cada pessoa de sua equipe

Essas são algumas coisas que farão com que você seja elogiado pela equipe. Já ouvi centenas de vezes em minha vida, em dezenas de empresas diferentes, que muitas pessoas não trabalham “para uma empresa”, mas “para uma pessoa especial dessa empresa”. Essa é a diferença entre o líder e o chefe.

Por último,

Décimo degrau: Ser a referência.

Quando se consegue subir todos os degraus dessa difícil caminhada, as pessoas vão olhar para você com aquele ar de “aquele sabe o que faz”, e os novatos vão achar que você tem sorte, bajulou alguém ou “tem as costas quentes”. Você sabe que isso é bobagem.

Não gosto da palavra “sorte” relacionada àqueles que conseguem uma grande carreira profissional. Os que são a referência possuem equilíbrio emocional, conhecimento técnico, parecem que estão sempre à frente dos demais, não valorizam pequenos problemas, gostam de ensinar e aprender, e são pessoas humildes, com quem você pode contar.

Estes são, de acordo com a opinião de muitos profissionais de recursos humanos, a escada para o céu, ou o paraíso de quem consegue o sucesso profissional. Sempre lembrando que um bom momento na carreira não significa sucesso em todas as situações.

Se você se lembrou de um clássico do rock do Led Zeppelin, foi realmente a idéia. Porque no mundo corporativo existem os que tocam e fazem acontecer, os que só cantam, os que acompanham e obviamente, os que dançam.

Edilberto Camalionte é Diretor da ECS Consultoria e Treinamento e professor coordenador do curso de Inteligência de Mercado da Fundação Instituto de Administração – FIA.

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