Stairway to Heaven – Por Edilberto Camalionte
Por Edilberto Camalionte
Uma das maiores dúvidas que certamente ficam dentro dos meios corporativos é saber, com a maior precisão possível, quais os caminhos e atalhos para levar a um desenvolvimento na carreira que a faça ficar muito perto do sucesso.
Olhando apenas para o senso comum, ou melhor, perguntando para pessoas próximas, vividas, como a mãe de cada um de nós, ela sempre diria: “estuda, moleque, senão você não vai ser nada nunca na vida!”. Aí, vamos para a escola, depois faculdade, pós graduação, MBA e mais todo o resto que inventam de cursos e especialização profissional.
Neste meio tempo – geralmente entre a faculdade e o pós – vamos para o mercado de trabalho. Existem duas categorias de recém-formados. A primeira, quando a família tem uma situação financeira melhor e consegue investir nos filhos, eles chegam com dois ou três idiomas fluentes, experiência internacional e, muitos, com uma pós-graduação, mesmo sem ter a tal da experiência profissional.
A segunda – a imensa maioria, inclusive a qual eu me coloco – vão para o mercado com uma faculdade e seja o que Deus quiser! Quando eu fui para o mercado de trabalho, tinha feito faculdade de filosofia, o que queria dizer no banco que eu trabalhava faculdade Nenhuma. Lá, conversando com gerentes e gestores das mais diversas áreas, eu pude perceber que alguns têm uma certa “sorte”, outros nem tanto, e para entender melhor isto, resolvi estudar um pouco o que significava essa tal “sorte” no mundo corporativo,
Afinal, quais são as qualidades de quem faz sucesso? O que faz, afinal de contas, uma pessoa para conseguir se destacar?
Para entender melhor, pense em uma escada, com dez degraus. Para subir o segundo, necessariamente você precisa passar pela experiência de escalar o primeiro. E essa escada começa com:
Primeiro degrau: Conhecimento Técnico e Autodesenvolvimento
O conhecimento técnico é o básico. Sem ele não é possível entrar em uma empresa, em um processo seletivo sério. Justamente por ser o básico, é facilmente alcançado por outras pessoas, e é preciso que você não pare nunca de continuar buscando conhecimento técnico. Neste ponto, entra o autodesenvolvimento, que consiste basicamente em buscar de forma contínua o complemento para a atualização.
E não bastam apenas cursos de especialização, jornais, revistas, sites e principalmente livros. Uma dica importante é procurar o autodesenvolvimento sem que ninguém cobre. Isso mostra pró-atividade e preocupação em melhorar sempre.
Segundo degrau: Identificar suas aptidões e pontos fortes
Eu não conheço um único ser vivente que quando tinha 16, 17 anos tinha absoluta convicção do que queria ser quando crescer. Depois que a gente termina a faculdade, ou começa e pára várias delas, temos muitas vezes mais dúvidas que certezas.
Entre aí a segunda parte muito importante: para quais coisas você tem muita facilidade? Você é elogiado por fazer exatamente o que? Quais coisas tem mais curiosidade em saber? O que guarda na cabeça com mais facilidade?
Não é fácil responder “de pronto” a estas perguntas, mas uma dica para facilitar a organização destas idéias é colocá-las no papel. Quando a gente escreve, é obrigado a refletir sobre o que estamos escrevendo. Não é papo de filosofia. É papo de carreira.
Depois de descobrir para o que você serve, você descobrirá quais são os seus pontos fortes, pois certamente são estes que você levantou. Sabe o que fazer? Tem que reforçar. Fazer cursos, ler bastante e praticar ainda mais. Tem facilidade de comunicação? Não perca uma única oportunidade para falar em público. Está curioso porque o PIB da China vai encolher? Leia tudo e vá estudar economia. Quando a gente gosta de uma coisa, procura fazer cada vez melhor, porque somos os mais críticos do nosso trabalho. Ficamos em evidência de forma positiva, e, olha que sorte: somos promovidos ou recebemos propostas boas de emprego. Que sorte, né?
E com essa sorte, temos o:
Terceiro Degrau: Criatividade e Inovação Prática
As empresas estão cada vez mais malucas com a idéia de serem copiadas pelos concorrentes, competir com preços cada vez mais agressivos e se matam para se diferenciar em seus mercados.
O que torna a competição possível é quando a empresa dá aos funcionários o espaço necessário para criar e fazer coisas inovadoras. Quando a empresa não faz isso, ela copia descaradamente os outros. Alguns chamam de mediocridade.
Agora, há um ponto importante aqui: embora muitas empresas busquem essa criatividade, vários funcionários não entendem bem e ficam dando palpites ao invés de idéias: “porque não trocam de fornecedor?” “manda o cara do financeiro embora que resolve tudo!” “também, com aquela estratégia de marketing não vamos pra lugar nenhum!”. Ou seja, ao invés dos funcionários darem sugestões e opiniões palpáveis, alguns se limitam apenas a palpites.
O que a empresa quer é gente que dê a sugestão com pé e cabeça. Que calcule o ROI (Retorno sobre investimento), desenvolva a estratégia e o plano B, enfim que pense concretamente nos detalhes. Quando se faz isso, a empresa vê que o funcionário pensa diferente, ou ainda: ele pensa, não é um simples “fazedor”, mas um “estrategista”. Somos criados para fazer, mas pouquíssimos passam para o estágio de refletir concretamente sobre uma estratégia. Os poucos que fazem isso se destacam. Você faz isso?
Aliás, quanto ganha um fazedor? E um estrategista?
Quarto degrau: Relacionamento Interpessoal
Antes de tudo, isso não é marketing pessoal. Relacionar-se bem com as pessoas significa compreender as diferenças que existem em cada um nós, e, principalmente: agregar valor para as pessoas com as quais nos relacionamos.
E isso é fácil para uns, impossível para outros. Relacionar-se bem significa, pela ordem:
- Prestar atenção genuína no que o outro fala
- Interessar-se pelo que o outro se interessa
- Valorizar o que o outro valoriza
- Quando souber de algo que é importante para o outro, compartilhar
- Perguntar sobre coisas que o outro sabe, sobretudo se ele gostar de falar sobre esse assunto
- Respeitar as diferenças
- Ser educado e humilde com todos indiscriminadamente
- Ter senso de humor, sobretudo em situações de maior tensão
- Não ter grandes variações de humor
- Fazer contatos periódicos simplesmente para trocar idéias.
Falta tempo para fazer isso? Não faz mal. Fique sem, pode ser que uma rede de relacionamentos nunca faça falta, não é?
Se bem que diversas pesquisas apontam para o fato de que aproximadamente 80% das pessoas são contratadas por indicação. Sem contar que amigos de verdade dizem o que você precisa ouvir e não o que quer ouvir. Assim, seus pequenos defeitos podem ser corrigidos se fizer sua parte.
Quinto Degrau – Lidar com suas próprias emoções
Naturalmente, temos emoções e sentimentos durante o dia de trabalho. Os mais comuns são a raiva, medo, tristeza e alegria.
Não vou ficar explicando como se tem raiva – se você trabalha há pelo menos 6 horas em qualquer lugar deve ter sentido ou presenciado isso – mas quero me concentrar em duas coisas:
A primeira é o medo. Quando digo medo me refiro não somente ao de ser assaltado ou demitido. Antes disso, de chegar atrasado, não saber o que falar na hora que o chefe pergunta alguma coisa, não conseguir bater as metas, enfim, o medo está presente no dia a dia.
A segunda é a constatação de que essas emoções são contagiantes. Uma pessoa com raiva, medo ou tristeza consegue arrastar todos os colegas para o lado negro onde ficam os sentimentos ruins, transferindo uma parte para o outro e criando uma coisa chamada “clima”. Já ouviu falar em Clima Organizacional? Então, este é construído pelas pessoas que contagiam as outras com um pouco do que elas têm. Mas não é só de sentimentos negativos que este clima pode ser constituído, os sentimentos positivos também integram o clima, e são muito bem vindos pelo seu caráter contagiante, como, por exemplo, a alegria.
Se não podemos escolher o que sentimos, podemos escolher o que contagiamos. E as poucas pessoas que conseguem fazer isso bem, se destacam muito nas suas empresas.
Continua na próxima Edição.
Edilberto Camalionte é Diretor da ECS Consultoria e Treinamento e professor coordenador do curso de Inteligência de Mercado da Fundação Instituto de Administração – FIA.



